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Anúncio : Epopéia Jesuítico-Guarani - Paiva Netto

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Data Publicação: 12/11/2008
Última Atualização: 12/11/2008

Descrição:

Estudar a espiritualidade rio-grandense, em especial o passado missioneiro, é uma indescritível experiência. Comparo-a à do jesuíta Diogo Haze (1647-1725), quando, em 12 de agosto de 1706, fundou o povoado de Santo Ângelo Custódio com 740 famílias guaranis.

A cada narrativa, somos meio que impelidos a nos tornar coadjuvantes dessa epopéia jesuítico-guarani. É como se pudéssemos sentir escorrer pela face o suor e as lágrimas dos que heroicamente resistiram em defesa de suas raízes, ou perceber o aroma da erva-mate enquanto, ao pé de frondosa árvore, os índios se acomodavam para ouvir as lições da Boa Nova de Jesus.

De lá para cá, 302 anos se passaram. Contudo, fica latente no coração dos que amam esta terra a herança religiosa, mística, arqueológica e artística das Missões, que, na voz do dr. Marcos Vinicios Vilaça, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, “são um ressuscitar da memória e da alma gaúchas”.

 

Berço ecumênico

 

A cidade de Santo Ângelo é ecumênica de berço. O professor Júlio Ricardo Quevedo dos Santos, doutor em História Social pela USP, dá-nos subsídios para tal afirmativa: “(...) encontramos uma tolerância cultural, posto que prevalecem os legados guarani, ibérico, português, germânico, entre outros, os quais contribuem à pluralidade cultural, típica da América Latina”.

Aliás, quero agradecer dois livros que enriquecem agora a minha biblioteca: “Missões Jesuítico-Guaranis: Síntese Histórica”, do padre Estanislau A. Kreutz, remetido pelo subsecretário de Turismo de Santo Ângelo, sr. Alencastro Motta, com a dedicatória: “Repasso esta obra ao jornalista José de Paiva Netto, com admiração e respeito”; e “300 anos da Redução Jesuítica de Santo Ângelo Custódio”, organizada por Gladis Maria Pippi e Nelci Müller, que recebi com os cumprimentos do prefeito Eduardo Loureiro.

Preservar o espírito missioneiro, com sua diversidade étnico-cultural, é um dos mais valiosos tesouros do patrimônio histórico gaúcho e do Brasil.

Homenagem aos pais

O radialista Mário Augusto Brandão trouxe-me transcrições de palestras que realizei num período de 25 anos. Então, reuni alguns trechos para apresentá-los a vocês, visto que procuramos de maneira universal inspirar nossas palavras nas lições de Jesus. Por isso, juntamos o parecer de tantos, em função do mandamento novo do Cristo: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo amor uns pelos outros. (...) Não há maior amor do que doar a sua própria vida pelos seus amigos. (...) Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama, Eu também vos tenho amado. Permanecei no meu amor” (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35; 15:12, 13 e 9).

Comemoramos o dia dos pais no Brasil. O poeta e escritor alemão Heinrich Vierordt (1855-1945) declara: “Títulos, honras, favores humanos, tudo, tudo é pálida neblina apenas; e o único bocado sólido de sorte é a felicidade familiar”.

Nessa data, firmados na palavra do Divino Mestre, na prece ecumênica do Pai-Nosso, não nos podemos esquecer de homenagear, inicialmente, o maior dos pais: o Celestial.

Ao dedicar algumas linhas aos heróis que pelo mundo desempenham bem o seu papel de educar os filhos, faço-o com muito respeito. Minha saudação é extensiva aos que não mais se encontram neste planeta, visto que habitam agora o Plano do Espírito, como “seu” Bruno Paiva. A morte não interrompe a Vida. Na Terra ou no Céu da Terra, continuamos a trilhar a existência eterna.

 

Relacionamento entre pais e filhos

 

Apenas com fraternidade — passe o tempo que necessário for e superados os percalços —, será sustentada a relação entre pais e filhos, filhos e pais, sólida e indestrutível, porquanto a fortaleza dessa união estará sobre sentimento sublime.

Em sua primeira epístola, 4:20, 21 e 8, João Evangelista afirma: “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos da parte Dele este mandamento: aquele que ama a Deus ame também a seu irmão (...), porque Deus é Amor”.

E esta assertiva de João, que se inspirou em Jesus, recorda-me uma complementação do saudoso Alziro Zarur (1914-1979) à palavra do discípulo amado: “E nada existe fora desse Amor”. Por conseguinte, dessa afeição vem a substância que percorre e mantém viva a alma, tal como o sangue, que não permite a gangrena do corpo humano, ao levar vida a todas as suas partes (...).

Na verdade, a luta é grande; os obstáculos, muitos. Daí, a importância de cuidarmos para que não falte aos nossos filhos o alimento material. Todavia, não nos esquecendo de os saciar espiritualmente, conforme defendemos na Pedagogia do Afeto, que, por sua vez, tem muito a ver com as mães. Elas, como ninguém, sabem oferecer o melhor e o mais eficiente carinho. E os pais não se incomodam com isso, pois nenhuma homenagem a eles fica completa se as mães também não forem aquinhoadas.

 

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@uol.com.br

Cidade: Maceio
Endereço: Av Muniz Falcao 350
Pessoa de Contato:   Verônica Alexandre
Telefone: 82 88341768
Site: http://www.paivanetto.com.br
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