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Anúncio : Todas as Mulheres são mães - Paiva Netto

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Online: Não
Page Views: 102
Data Publicação: 06/05/2008
Última Atualização: 06/05/2008

Descrição:

Na Legião da Boa Vontade, LBV, a visão que temos da maternidade é ampla. É o que comentei em 22 de maio de 1988, na Folha de S.Paulo: Deus, Mãe e Pai dos Seres Humanos, é universal abrangência. Assim sendo, Mães não são apenas as que geram filhos carnais. Também são aquelas que se consagram à sobrevivência dos filhos dos outros: as crianças órfãs, até mesmo de pais vivos; as das Mães que precisam trabalhar e não têm pessoa de confiança com quem deixá-las; as das que são irremediavelmente enfermas. Tal como se lê no Poema do Grande Milênio, de Alziro Zarur (1914-1979): “(...) Os filhos são filhos de todas as mães, e as mães são as mães de todos os filhos”.

Mães são ainda as que se devotam à Arte, à Literatura, à Ciência, à Filosofia, à Religião, à Política, à Economia, afinal a todos os setores do pensamento ou ação criadora, a gerar “filhos” de sua dedicada competência pelo desenvolvimento da Humanidade. A LBV não ergue bastilhas, pelo contrário, as derriba com renovada Boa Vontade. (...)

Muito oportuna também é outra composição poética do velho Zarur: Poema das Mães, uma ode à face maternal, à necessidade da marca afetuosa e forte deste Ser no governo dos povos:

 

Poema das Mães

Desde que o mundo é mundo, até onde vai/O arqueológico olhar da pré-História,/Na família dos nobres ou da escória/A mãe não manda, pois quem manda é o pai.

 

Sem pretensão alguma a Nostradamus,/Eu creio que a razão desse destino/Da mulher-mãe, que todos subjugamos,/É o Deus antropomorfo-masculino.

 

“Se é homem o Criador (raciocinaram/Os argutos filósofos de antanho),/Façamos das mulheres um rebanho...”/E assim fizeram quando assim pensaram.

 

Desde então, temos visto a velha farsa/Representada, com solenidade,/Nos países de toda a Humanidade/Onde a moral pré-histórica anda esparsa.

 

“As mulheres não podem entender-nos”,/Diziam os despóticos senhores./E fomos vendo, em séculos de horrores,/A falência dos homens nos governos.

 

Ao meditar, em raras horas mansas,/Cheguei a conclusões desprimorosas:/Os homens são crianças rancorosas,/Sem a graça espontânea das crianças.

 

Só então compreendi o caos da guerra,/Em seus apavorantes misereres:/Coisa impossível de se ver na terra,/Quando os governos forem de mulheres.

 

Assim é que não pode continuar!/Porque os “chefes” — piores do que os cães/Hidrófobos — têm este singular/Defeito imenso de não serem mães.

 

Retrato de Mãe

 

Abro a revista Boa Vontade e encontro esta jóia do saudoso bispo chileno Dom Ramón Ángel Jara (1852-1917): “Existe uma simples mulher que possui um pouco de Deus pela imensidade de seu Amor, e muito de anjo pela constância de sua dedicação. Mulher que, sendo jovem, pensa como anciã; e na velhice, trabalha como se tivesse o vigor da juventude; se é ignorante, decifra os problemas da vida com mais acerto do que um sábio; sendo culta, amolda-se à simplicidade das crianças; quando pobre, considera-se bastante rica com a felicidade daqueles que ama; e sendo rica, daria com prazer sua riqueza para não sofrer a injúria da ingratidão. Forte ou intrépida, entretanto estremece ante o choro de uma criancinha; franzina, se reveste, às vezes, da bravura de um leão. Mulher que, enquanto viva, não sabemos dar-lhe o devido valor, porque a seu lado todas as nossas dores se apagam... Mas, depois de morta, daríamos tudo o que somos e tudo o que temos para vê-la de novo um só instante e dela receber a carícia de seus abraços, uma palavra de seus lábios... Não exijais de mim que diga o nome dessa mulher se não quiserdes que eu inunde de lágrimas este álbum, porque já a vi passar em meu caminho. Porém, quando os vossos filhos crescerem, lede-lhes esta página. E eles, cobrindo-vos de beijos, dirão que um pobre viandante, em retribuição da magnífica hospedagem recebida, deixou gravado neste álbum, para todos, o retrato de sua própria Mãe”.

 

          Oração

            A esses Seres iluminados, dedico a prece “Jesus e as Mães”, que fiz em homenagem às mães do Céu e da Terra.

           

Ó Jesus!/ Tu que és o Refúgio Seguro dos aflitos,/ Escuta a voz das Mães/ Que ao Teu Carinho elevam/ O clamor de suas súplicas./ Aplaca, Senhor, as suas dores,/ Pois cada uma delas,/ Ó Divino Amigo,/ Reconhece em Teu Coração/ O seu bom destino;/ Na Tua Santa Vontade, a força/ Que não lhes permite sucumbir;/ E, na Tua Sabedoria contemplam,/ As Mães da Terra e do Céu,/ A educação que anseiam para os filhos./ Em Ti, Jesus, elas, quando sofrem,/ Têm a certeza do alento/ Que, em geral, o mundo não lhes pode oferecer,/ Porque ainda pouco tem para lhes dar./ Ouve, Filho Celeste de Maria Santíssima,/ O apelo dos corações maternos,/ Porque Tu, Jesus, és a esperança que nunca morre./ Melhor que isso: a convicção que não as deixa esmorecer./ E que assim, em Ti,/ Eternamente seja,/ Ó Divino Provedor!/ Amém.

 

Dizem que Mãe não tem rima. Será?! Então secou-se-lhes a musa, ou saiu em férias... Mas não semelhantemente à famosa experiência de Guerra Junqueiro (1850-1923).

Amor faz rima perfeita com Mãe. Mãe é eterna também.

            Ah! O Dia das Mães passou? Oh! Desculpem-me! Que pena! Mas que dia não é delas?...

 

José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.

paivanetto@uol.com.br

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