Um dia desses, repassava páginas do meu livro “As profecias sem mistério”, 1998. Achei oportuno trazer-lhes um trechinho extraído do capítulo “Apocalipse: Razão e Coração”. Espero que o apreciem.
Certa vez, à mesa, enquanto realizávamos a Cruzada do Novo Mandamento de Jesus no Lar, meu filho Alziro Abraão, àquela altura com 17 anos, concluiu com sagácia: “Realmente, o ser humano, não obstante o extraordinário avanço tecnológico, não está evoluindo como deveria. Na verdade, só está andando mais depressa, sem saber com certeza, ainda, para onde vai. Por esse motivo, o mundo continua sendo um grande quebra-cabeça”.
Inteligência do cérebro e do coração
O jornalista Alziro Zarur (1914-1979) ensinava, nas suas prédicas populares, evangélicas e apocalípticas, que a saída para qualquer problema, por pior que seja, é “ligar a tomada em Cristo Jesus”, o que pode soar absurdo a homens e mulheres excessivamente racionais.
Não sou contra a Razão, como não me oponho ao sentimento. “In medio virtus”, preconizava Aristóteles, em “Ética a Nicômaco”, seu filho. Eis por que venho asseverando que precisamos unir à inteligência do cérebro a do coração. Costumo valer-me deste exemplo: quando em boa hora surgiu o Iluminismo, depois da Idade Média, já dentro da Era Moderna, muitas pessoas viram no racionalismo a chave efetiva, enquanto acusavam as religiões pela aflição permanente das criaturas. É óbvio que a razão realiza importantíssimo trabalho pelo crescimento dos povos, mas não bastou para emancipá-los de seus tormentos. Trouxe incontáveis inovações. Contudo, somou-se àquilo que os iluministas qualificaram de erros religiosos uma carrada de novos enganos. Adicionaram-se aos anteriores os equívocos advindos do uso desmedido do racional.
Novamente, o ser humano colocou-se na busca do equilíbrio, um caminho para a solução de suas angústias.
É quando, radioso, emerge, liberto da obscuridade e do estigma do medo, o Apocalipse do Divino Chefe: uma carta de amigo que apenas deseja o bem do destinatário, escrita com providencial antecedência aos conflitos que a humanidade teria de enfrentar, pelos milênios, em virtude da desarmonia, criada por si mesma, para com as leis universais, eternas. Jesus é suprema expressão de fraternidade. Não transfiramos a Ele os crimes praticados em Seu nome. E é por esse prisma que o texto profético deve ser analisado, até mesmo pelos ateus. (...) Há respeitáveis pensadores que fazem muita questão de ser racionais (Bem que um pouco de ceticismo seja saudável à inteligência). Por isso, talvez, demorem a entender a programação divina para o desenvolvimento das gentes, porquanto, para compreensão dela, é imprescindível devidamente observar a lei do amor, que ilumina a solidariedade social.
E-mail antológico
Movido pela leitura, semana passada, de meu artigo “Deus é Ciência”, o ilustre frei Rovílio Costa dirigiu-me um e-mail, tecendo comentários em torno do tema, fundamentado na sua extensa erudição bíblica e experiência humana. Considero-o digno da mais profunda meditação: “(...) A proposta ecumênica retira toda a agressão e inebria de toda a compreensão os crentes de qualquer caminho religioso, porque todos querem compartilhar com todos as alegrias de sua fé. Vencendo o fundamentalismo religioso, vencemos todos os juízos finais do mundo, que se dão o arbítrio de condenar e salvar segundo seus parâmetros. Todo o homem tem dentro de si o parâmetro da salvação e da condenação que é sua própria consciência que, para nós, é o Espírito do Senhor, o mesmo que desceu sobre Cristo no dia do Seu Batismo de penitência em nosso lugar, no rio Jordão. (...) Sejamos precursores de Deus no mundo, mediante o amor fraterno e a descoberta dos dons de Deus em cada ser humano, como singular e único, expressão exclusiva de um traço da Divindade (...)”.
Grato, frei Rovílio!
Seis e Meia
Os programas socioeducacionais da Legião da Boa Vontade, na cidade de Porto Alegre, foram destaque do programa Seis e Meia, do canal 20 da NET, apresentado pelo jornalista Flávio Portela, que também é gerente da Rádio Guaíba. Homenageado com uma bela camiseta da LBV, ele fez questão de mostrá-la aos telespectadores. Na oportunidade, falou à Super RBV AM 1300: “A Legião da Boa Vontade faz algo parecido com o jornalismo. O jornalismo trabalha sempre com a idéia da informação e da prestação de serviço, e na LBV encontro muito isso: a prestação de serviço. Então, é uma obrigação minha, como jornalista, como gestor de comunicação, abrir espaço para quem desenvolve esse tipo de auxílio, atividade de ajudar quem necessita, o que é muito importante”.
De pleno acordo, caro Flávio. Além do entretenimento e da informação, o saudoso radialista Alziro Zarur defendia, há décadas, a responsabilidade social dos meios de comunicação.
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