A antropóloga e professora da USP, dra. Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente da República, dr. Fernando Henrique Cardoso, deixou-nos no último 24 de junho. Intelectual das mais destacadas, sempre teve como tema de seus estudos o combate à exclusão social.
Recordo com carinho as palavras que escrevi no “Correio Braziliense” quando, em 1995, criou e assumiu o “Comunidade Solidária”: A escolha de dona Ruth Cardoso para a missão de presidi-lo reforça a expectativa de sucesso. Esses são os meus votos e os dos Legionários da Boa Vontade. Por sinal, dona Ruth é muito simpática e fotogênica.
Em 1998, durante evento ocorrido no ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF, a dra. Ruth expôs seu pensamento sobre as ações em prol dos mais necessitados, e disse ainda: “Todas as iniciativas que são realizadas com essa finalidade, da solidariedade, do apoio à população carente, são importantíssimas. A Legião da Boa Vontade é um excelente exemplo, inclusive de continuidade dessa filantropia”.
Ao seu espírito eterno, pois os mortos não morrem, as nossas vibrações de paz, extensivas aos familiares e amigos.
Reconhecimento das Nações Unidas
De Nova York, o representante da Legião da Boa Vontade na ONU, Danilo Parmegiani, informa: “No último dia 4 de junho, ao ser analisado o relatório quatrienal da LBV no Ecosoc, Conselho Econômico e Social, as delegações governamentais dos países membros da ONU o aprovaram com distinção”.
Globalização do Amor Fraterno
A LBV, primeira entidade do Terceiro Setor brasileiro a conquistar, em 1999, o status consultivo geral no Ecosoc, associada, desde 1994, ao Departamento de Informação Pública (DPI), foi também reeleita vice-presidente do Comitê de Espiritualidade, Valores e Interesses Globais, da ONU, por mais dois anos. O portal Boa Vontade (www.boavontade.com) comenta: “A escolha ocorreu durante encontro desse comitê, na sede das Nações Unidas, em Nova York, realizado no dia 29/5, quando a LBV palestrou a autoridades presentes. Foi inédito no comitê um membro do próprio corpo executivo conferenciar. A participação da LBV durou uma hora e abordou vários tópicos da revista ‘Globalização do Amor Fraterno’, que o seu diretor-presidente encaminhou à ONU em diversos idiomas. O conselheiro Malik Sardar Khan, do Congresso Mundial Islâmico, destacou em seu discurso a publicação: ‘Repassarei a mensagem da LBV. Isto aqui tem de ir para o mundo inteiro! Faço esse trabalho de disseminar abordagens sociais com espiritualidade desse nível para contatos em vários países’. Outra importante manifestação foi a do rabino Roger Ross, que disse: ‘A mensagem da Legião da Boa Vontade não poderia ser mais perfeita, porque é dita com amor’. (...) Desde 2004, a LBV promove anualmente, em parceria com a ONU, fóruns da sociedade civil latino-americana, chegando à quinta edição em 2008”.
Parece que foi ontem...
Estou comemorando 52 anos de trabalho na LBV. Amanhecia 29 de junho de 1956 — Dia de São Pedro e São Paulo. Nasci no Rio de Janeiro. Com 15 anos, num gesto intuitivo, liguei o rádio. Estava no ar a Tamoio. Vivíamos os festejos juninos. Surpreso, ouvi os acordes de “Noite Feliz!” E logo vibrou a palavra de Alziro Zarur (1914-1979). Esse fato mudou a minha vida, tal qual a de tantos outros que aguardavam algo que lhes falasse o que precisavam ouvir a respeito de Quem, no dizer de João Batista, nem somos merecedores “de limpar-Lhe o pó das sandálias”: Jesus! Zarur entoava o “Glória a Deus nas alturas, paz na Terra aos homens de Boa Vontade!” (Evangelho, segundo Lucas, 2:14.) Naquela hora, como que um raio desceu sobre mim, mas não me fulminou. Pelo contrário: percebi que não sou apenas um produto da carne, posto que certa mentalidade por aí faz alguns pensarem que este mundo seja um açougue. Tenho espírito. Não em resultado de combinações químicas cerebrais, porquanto a inteligência situa-se além do corpo, como que havendo um cérebro psíquico fora do somático. (...) A partir daquele momento, o que foi despertado em mim não poderia surgir de um pedaço de matéria que um dia se transformará na rebelião famélica dos vermes. Ah! Somos alguma coisa bem superior, que sintoniza as estrelas! É essencial ter, portanto, em nós um diapasão que ressoe na grandeza de sua melodia. (...) No mesmo instante, virei-me para minha saudosa mãe, Idalina de Paiva (1913-1994) e, decidido, sentenciei: “É com esse que eu vou!”
Grato pelo apoio
Aprendi nestes 67 anos de vida que ninguém faz nada sozinho. Ao completar 52 de trabalho nessa obra — que luta ininterruptamente por um Brasil melhor e uma humanidade mais feliz — compartilho também essa marca com todos os que, com suas preces e apoio às nossas iniciativas, formam a grande família da Boa Vontade de Deus.
José de Paiva Netto — Jornalista, radialista e escritor.
paivanetto@uol.com.br |