Apresentamos, nesta oportunidade, outro trecho do documento que o Diretor-Presidente da LBV enviou aos participantes dos diversos encontros realizados na sede das Nações Unidas, do Ecosoc (o High Level Segment), durante a 58a Conferência Anual das ONGs intitulada: “Nosso desafio: vozes pela Paz, as alianças e a renovação”:
Democracia espiritual: proposta da LBV — Ao lançar, em 21 de outubro de 1991, a Pedra Fundamental do Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV, na Quadra 915 Sul de Brasília/DF, Brasil, recomendei no Manifesto da Boa Vontade:
O Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica nasce sob o sinete da Democracia, mas não a meramente eleitoral, partidária. (...)
Pregamos a Democracia não somente na Política, mas em todas as áreas da vida humana, principalmente na Religião, que deve andar na vanguarda, por força de sua missão de paz na Terra; senão, para que serviria? É uma ação de humildade, que, para ser frutífera, precisa, antes de tudo, estar revestida pela couraça da coragem sadia, aquela que não aprova violência em nome de um Deus que é Amor e Salvação. Alziro Zarur (1914-1979), o saudoso Fundador da LBV, costumava dizer: “O maior criminoso do mundo é aquele que prega o ódio em nome de Deus”.
E mais: que “governar é ensinar cada um a governar a si mesmo”.
Ninguém definiria melhor o sentido mais profundo do Ensino para uma nação forte no Terceiro Milênio.
Espiritualidade e Educação — De acordo com o que escrevi na obra Epístola Constitucional do Terceiro Milênio, publicada em 7 de setembro de 1988, no capítulo “Instruir é Iluminar a Consciência” (p. 77), sem Educação e Instrução não há progresso. Todavia, educar e instruir não é apenas ensinar a ler, a mergulhar nos livros. Trata-se, acima de tudo, de iluminar a inteligência com o Novo Mandamento de Jesus — Amai-vos como Eu vos amei — para as funções harmônicas do cidadão na sociedade (...). Isso somente será conseguido quando as criaturas souberem ver além do intelecto, com os olhos do Espírito (...).
Cidadania Planetária — Daí ser nosso lema, há tanto proclamado, Educação e Cultura, Alimentação, Saúde e Trabalho com Espiritualidade Ecumênica, porquanto é o berço dos mais generosos valores que nascem da Alma, a morada das emoções e do raciocínio iluminado pela intuição, a ambiência que abrange tudo o que transcende ao campo vulgar da matéria e provém da sensibilidade humana sublimada, a exemplo da Verdade, da Misericórdia, da Moral, da Ética, da Honestidade, do Amor Fraterno. Em suma, a constante matemática que harmoniza a equação da existência do indivíduo. O conhecimento da Espiritualidade Superior eleva o caráter das criaturas e, conseqüentemente, o direciona à construção da Cidadania Planetária.
Mundo Espiritual, Ciência e microscópio — Há também — o que é essencial destacar — a Espiritualidade compreendida como a vivência do Ser nas Esferas Invisíveis, nas quais a Vida se estende perenemente. Enfim, o Mundo Espiritual! Não existe?! Por quê? Porque a Ciência contemporânea ainda não o reconhece?! Igualmente não admitiu o microcosmo, que era um universo invisível até a invenção do microscópio. Não faz muito tempo os alérgicos sofriam a suspeição de diversos clínicos, pois ninguém conhecia o ácaro... até o advento dos instrumentos óticos mais modernos para a investigação do hábitat desses organismos infinitamente pequenos.
Novo Mandamento de Jesus, Solidariedade Mundial e Voltaire — A respeito da necessidade constante do espírito solidário nos relacionamentos pessoais, entre as comunidades e entre as nações, cumpre lembrar o Novo Mandamento de um grande pedagogo, o Jesus dessectarizado*, quando ensina: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (...) O meu Mandamento é este: que vos ameis uns aos outros como Eu vos tenho amado. Não há maior Amor do que este: dar a sua própria Vida pelos seus amigos. E vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando. E Eu vos mando isto: amai-vos como Eu vos amei. Já não mais vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer. Não fostes vós que me escolhestes; pelo contrário, fui Eu que vos escolhi e vos designei para que vades e deis bons frutos, de modo que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos conceda. E isto Eu vos mando: que vos ameis uns aos outros como Eu vos tenho amado. (...) Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor” (Evangelho de Jesus, segundo João, 13:34 e 35; 15:12 a 17 e 9), e também esta afirmativa de Voltaire (1694-1778): “Desde a Índia até a França, o Sol não vê mais do que uma família imensa, que deveria reger-se pelas leis do Amor. Mortais, somos todos irmãos”.
O Mandamento Novo do Cristo e a reflexão do polêmico filósofo iluminista francês constituem dois fortes pilares de uma sociedade que queira viver distanciada do suicídio coletivo das guerras de todos os tipos, cada vez mais destruidoras.
(continua)
*Dessectarizar Jesus — Em 1989, numa entrevista que concedeu ao jornalista e homem de TV polonês Roman Dobrzyński, Paiva Netto destacou que uma das missões da LBV é exatamente dessectarizar Jesus. Leia a íntegra da Proclamação do Cristo Estadista no segundo volume das Diretrizes Espirituais da Religião de Deus, p. 31, ou no site www.boavontade.com.
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor, é Presidente das Instituições da Boa Vontade. |